Davos I – A IA vai tirar o seu emprego. Será?

O que Davos está dizendo sobre o futuro do trabalho

Você já pensou que aquilo que faz todos os dias pode, em algum momento, ser feito por uma inteligência artificial?

Talvez essa pergunta já tenha passado pela sua cabeça.

E talvez tenha vindo acompanhada de outra:

“A IA vai tirar o meu emprego?”

Não é uma preocupação sem fundamento.

Davos fica na parte leste da Suíça. A cidade está situada a 1.560 metros de altitude nos Alpes Suíços, é nela que ocorre anualmente o Fórum Econômico Mundial.

Este fórum vem acompanhando as transformações que estão acontecendo no mercado de trabalho e, em seu Future of Jobs Report 2025, ouviu mais de 1.000 grandes empregadores, que representam mais de 14 milhões de trabalhadores, em 55 das principais economias do mundo e 22 setores distintos. Essas economias representam 88% do PIB mundial. Consegue sentir o peso das informações advindas desses fóruns?

Não estamos falando, portanto, de uma previsão feita por um blogueiro, por uma empresa de tecnologia ou por alguém tentando adivinhar o futuro.

Estamos falando de uma análise baseada na percepção de grandes empregadores de diferentes partes do mundo.

E alguns números merecem atenção.

Até 2030, 170 milhões de novos postos de trabalho poderão ser criados, enquanto 92 milhões poderão ser deslocados.

Isso representa uma transformação equivalente a 22% dos empregos atuais.

Mas existe outro número talvez ainda mais importante para quem já está trabalhando:

39% das competências essenciais dos trabalhadores deverão mudar até 2030.

Pense nisso por alguns segundos.

O problema pode não ser apenas perder um emprego.

Pode ser continuar no mesmo emprego, fazendo as coisas da mesma maneira, enquanto aquilo que a empresa espera de você muda.


O que está acontecendo?

A inteligência artificial é uma das grandes forças dessa transformação.

Mas não está sozinha.

Avanços tecnológicos, mudanças demográficas, transformações econômicas, transição energética e novas necessidades das empresas também estão modificando o mercado de trabalho.

E a velocidade dessas mudanças é o que torna tudo diferente.

Durante muito tempo, um profissional podia aprender uma profissão, acumular experiência e utilizar aquele conhecimento por muitos anos.

Agora, aquilo que diferenciava um profissional pode deixar de ser suficiente.

Uma ferramenta muda.

Um processo muda.

Uma função muda.

Uma competência deixa de ser tão importante e outra passa a ser valorizada.

O trabalho muda. E o profissional precisa perceber isso antes que a mudança chegue até ele.


E a inteligência artificial?

Aqui está a parte que mais provoca medo.

O relatório mostra que a tecnologia será uma das principais forças de transformação dos empregos até 2030. E uma pesquisa do próprio Fórum indica que 40% dos empregadores esperam reduzir sua força de trabalho onde a IA puder automatizar determinadas tarefas.

Isso é sério.

Não faria sentido esconder essa realidade para produzir um texto otimista.

Algumas atividades serão automatizadas.

Algumas funções serão reduzidas.

Algumas profissões serão profundamente modificadas.

Mas existe uma diferença importante entre:

“A IA vai acabar com os empregos”

E

“A IA vai transformar o trabalho.”

A segunda afirmação está muito mais próxima do que os dados mostram.

O próprio Fórum projeta criação e deslocamento de empregos simultaneamente.

Portanto, talvez a pergunta mais importante não seja:

“A IA vai substituir pessoas?”

Mas:

“Que tipo de profissional continuará sendo necessário quando uma parte do trabalho puder ser feita por máquinas?”

Essa pergunta é muito mais difícil.

E muito mais importante.


Cinco pilares estão no centro dessa transformação

Em uma análise publicada pelo Fórum Econômico Mundial sobre a transformação da força de trabalho impulsionada pela IA, a mudança é organizada em cinco pilares:

VISÃO

Compreender para onde o trabalho e o setor estão caminhando.

COMPETÊNCIAS

Identificar aquilo que os profissionais precisarão saber no futuro.

TECNOLOGIA

Integrar IA e automação ao trabalho.

PROCESSOS

Redesenhar a maneira como as atividades são realizadas.

CULTURA

Criar ambientes de aprendizagem contínua, inovação e adaptação.

Esses cinco pilares mostram algo importante:

a transformação não será apenas tecnológica.

Ela atingirá a maneira como as empresas pensam, contratam, treinam, organizam e utilizam seus profissionais.

E isso significa que ninguém deveria olhar para a inteligência artificial apenas como uma nova ferramenta.

Ela pode alterar o próprio trabalho que essa ferramenta será utilizada para realizar.


Então, devo ter medo?

Ter atenção é necessário.

Pânico, não.

O profissional que simplesmente ignora a transformação pode ficar vulnerável.

Mas aquele que entende o que está acontecendo tem a possibilidade de começar a se preparar antes que a mudança se torne uma exigência.

E existe uma questão que merece ficar na sua cabeça:

Se uma máquina puder fazer parte daquilo que você faz hoje, o que você precisará saber fazer amanhã para continuar sendo valioso?

Essa pergunta não é sobre tecnologia.

É sobre você.

E talvez seja a pergunta mais importante para a sua carreira nos próximos anos.

No próximo artigo, (DAVOS 2) vamos olhar juntos para o outro lado dessa transformação.

Se a IA pode mudar o trabalho, onde estão as oportunidades? E o que um profissional pode começar a fazer agora para não apenas sobreviver a essa mudança, mas crescer com ela?


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